segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Johnny manteu-se imóvel por alguns instantes, quando enfim se deu conta de que a única coisa que havia feito em todo aquele tempo era observar o teto, aquele que já fora palco de tantas decisões, medos e momentos de prazer, fora neste exato momento também que ele observou seu travesseiro, já molhado.

Em sua mente pousavam memórias dos mais diversos tipos e a saudade tomava conta daquele pequeno ser que ele havia se tornado, célula a célula. Tão insignificante diante da imensidão que o cercava só pôde implorar a alguma força maior:

- Por que me deixaste agir tão incoerente? Pra onde levaste minha sanidade?

Permaneceu ali, calado e só, já não haviam sobrado arrependimentos, ele usara todos. Deixou que o silêncio e o escuro tomassem conta e adormeceu repleto de culpa e de uma dor, que apenas um ser dentre os sete bilhões no mundo, pode curar.




"As conseqüências dos nossos atos são sempre tão complexas, tão diversas, que predizer o futuro é uma tarefa realmente difícil." (HP)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

E nada vai conseguir mudar o que ficou.


Haverão dias em que você acordará convicto de que poderá voltar no tempo e haverão dias também que será possível abrir os olhos iludido de que nada acabou.
Depois de tanto tempo acontecerão os sonhos e com eles o desejo de ter vivido tudo com mais intensidade. Talvez venham acompanhados de choro e desespero por saber que é impossível virar realidade.
Se torna mais difícil quando nossa imaginação, mixada com lembranças, se encarrega de juntar perfeitamente o calor do toque, a maciez do beijo e o perfume exato em poucos minutos longe da lucidez.
Será possível voltar, tocar, reviver. Será possível ser feliz novamente, apenas nos SONHOS.
É difícil acordar, olhar para os lados e almejar "aquelas" fotografias, sorrisos extremamente felizes. Você poderá até ouvir a voz se um pouco tentar.
Porém todos nós sabemos - mesmo que digam que o amor é capaz de tudo - o tempo não volta jamais.

domingo, 2 de outubro de 2011

Como que siera


Sentou-se na cadeira de balanço e pôs-se a observar seus herdeiros a brincar, o menino que sempre fora ágil, rápido e inteligente ajudava a irmã mais nova -desde cedo tão meiga porém atenta- a planejar mais uma de suas aventuras de tardes quentes.
Sempre prestando devida atenção à Ele que costuma chegar pouco antes do sol se pôr. A correria é de praxe, como se houvessem naqueles abraços e beijos anos de saudade ao invés de algumas horas na ausência do pai.
Ao vê-la parada observando de longe as cenas rotineiras, pensou no futuro dos filhos e recordou o dia em que planejara tudo isso. Naquele tempo em que tudo passava rápido demais, inclusive as pessoas. Lembrou também dos dias que pareciam ter tido mil horas e sentiu saudade do desespero para o vestibular.
Levantou-se, cumprimentou aquele que lhe dera lindos filhos, frutos de um amor antigo porém sempre ardente.
Limpou as lágrimas que eram um misto de alegria e orgulho. Que família linda ela havia construído.